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Antes, Durante e Depois: Três Eixos de uma Gestão Egoísta das Crises no Haiti.

Há décadas, as elites políticas haitianas atuam de forma particularista ou captatória na gestão das crises que afligem o país. Isto nos leva a refletir sobre seu comportamento egoísta, corrupto e reacionário. Para Freud, o egoísmo decorre de uma regressão a um estágio infantil, marcado pela predominância dos impulsos individuais. Jung, por sua vez, vê nisso um fracasso na individuação, ou seja, uma incapacidade de alcançar o equilíbrio entre aspirações pessoais e responsabilidades coletivas. Ao questionar o comportamento de nossos atuais dirigentes, que praticam uma política de predação (servirem a si mesmos em vez de servirem ao coletivo), é legítimo e apropriado qualificá-los como egoístas, tendo em conta sua gestão desastrosa e as crises socioeconômicas e políticas que mergulharam o país no caos.

O Haiti, segundo Estado independente do continente americano e primeira República negra do mundo livre, no entanto, conquista de suas próprias lutas, e dotado de uma história singular, permanece atolado em ciclos de instabilidade recorrentes. Enquanto a população sofre diariamente as consequências dessa deliquescência (corrupção, banditismo, insegurança, pobreza, impunidade etc), as elites, em sua esmagadora maioria, privilegiam seus interesses clientelistas em detrimento do interesse comum. Três argumentos principais iluminam esta realidade no âmbito da minha análise:

Uma gestão estúpida.

Evidentemente, essas elites estabelecidas defendem prioritariamente seus interesses pessoais, desprezando as necessidades coletivas. Esta  dinâmica se verifica através de múltiplos exemplos, uns mais chocantes do que outros. Citamos os nomes de nossos dirigentes que figuram regularmente na lista de sanções de seus mestres (imperialistas, porém corruptores de sua parte) por razões de corrupção. Vários artigos da imprensa internacional relatam escândalos de compra de casas à vista por parte deles, em países como Canadá, EUA (em Miami Beach) ou Europa. O caso do senador Rony Célestin, que adquiriu uma bela vila no Canadá, no valor de 4,25 milhões de dólares, em Laval, é um exemplo concreto. O artigo que trata disso está disponível neste site: «La presse». Podemos também mencionar o caso do embaixador Bocchit Edmond, que foi convocado de volta a Porto Príncipe pela chancelaria haitiana. Este chamado refere-se a alegações que remontam a dezembro de 2021, quando o ex-senador da oposição, Youri Latortue, então Presidente da Comissão de Ética e Anticorrupção do Senado, afirmou que membros da Embaixada do Haiti em Washington haviam desviado cerca de 4 milhões de dólares. Apenas abordando o assunto, parece que estamos em uma versão degradada de O Poderoso Chefão, em que um caso atrás de outro se revela mais revelador da natureza fétida do aparato do Estado haitiano.

Seria fácil listar dezenas de casos semelhantes, no entanto, examinemos de preferência seu comportamento antes, durante e depois das crises. Tomemos, por exemplo, uma situação que existe em Petit-Goâve. Na entrada da cidade, no nível de « Morne Tapion », quando se vem de Porto Príncipe, há uma rampa de 10% (com curvas perigosas e sem placas necessárias) na rodovia nacional 1. Desde minha infância, registram-se regularmente acidentes, especialmente do transporte público. E a situação, no momento em que lhes falo, não muda. É para se perguntar se há decisores que refletem sobre a questão. Ademais, a esses acidentes atribui-se um mito, como se um demônio se instalasse ali, na barriga do morro, e se alimentasse do sangue dos passageiros. Lá, com toda a lógica, podemos nos perguntar se podemos qualificar esse demônio de mítico ou estatal?

Aliás, Morne Tapion não é um caso isolado, podemos também facilmente citar: Morne Préval, Morne Pilboro, Morne Cabrit, Morne Karate etc. É um verdadeiro fiasco permanente. Francamente, por falta de responsabilidade destes últimos, a opinião pública se alimenta propositalmente do mito. Ela considera a influência desses desastres, em Morne Tapion por exemplo, como a de um gato atravessando a rua antes de um caminhão capotar. Afirmam, com base nisso, que o mês de dezembro é aquele em que as pessoas devem pagar suas dívidas míticas e que alguns irão até convocar o gato a atravessar a rodovia Nacional 1, com o objetivo de provocar acidentes e precipitar a morte das pessoas para pagar suas dívidas. E assim continua. Ao mesmo tempo, a manutenção do mito, na minha opinião, desresponsabiliza o Estado de seu papel mais básico, o controle de seu território e a segurança de sua população por meio da disciplina, do compromisso, do conhecimento e da ciência. 

Segundo exemplo: durante minha escola primária, tive a sorte de passar 1096 dias na Escola Nacional Borno Lamarre de Petit-Goâve. Esta escola é considerada uma das maiores do Caribe, tendo sido fundada após a Segunda Guerra Mundial sob o governo de Estimé. Inútil revelar qual era meu entusiasmo quando meu pai me anunciou que prosseguiria meus estudos primários nela.

Contudo, meu entusiasmo inicial rapidamente deu lugar a uma profunda desilusão. Por trás da merecida reputação do estabelecimento escondia-se, de fato, uma realidade administrativa alarmante: sanitários inutilizáveis, salas de aula desprovidas de portas, janelas quebradas deixando penetrar as intempéries na ausência de venezianas e uma crônica escassa de mobiliário. A precariedade das infraestruturas atingia tal paroxismo, que a direção viu-se obrigada a fundir várias turmas: como duas turmas do quarto ano reunidas em uma só, idem para duas turmas do quinto e do sexto ano, devido à gritante insuficiência de carteiras e equipamentos essenciais. Ouso esperar que tal situação não mais ocorra em 2026.

Este constatado toma hoje uma ressonância particular em mim à luz da minha experiência no Brasil, onde residi durante uma década. Lá, observei um paradigma oposto na gestão dos bens públicos: uma manutenção preventiva sistemática, uma alocação orçamentária priorizando a educação e uma cultura de preservação das infraestruturas. Suficiente para manter o sistema saudável. Não é preciso dizer que não se trata de um país perfeito; o importante, a esse ponto, é o esforço consentido na obra. Esta abordagem proativa, designada neste texto pelo termo “antes”, nos aparece como uma dualidade de perspectivas que repousa sobre um princípio simples, mas essencial: antecipar as degradações em vez de sofrer os disfuncionamentos inesperados do sistema.

No que diz respeito ao “durante”, convém analisar a sua implicação no contexto de uma crise. Para um indivíduo comum, a reação instintiva diante de um evento crítico releva frequentemente um reflexo condicionado, em que a ação imediata prevalece sobre a racionalidade. Esta impulsividade, que poderíamos metaforicamente assimilar a uma forma de destino, entendida aqui como uma submissão às circunstâncias e ao instinto, traduz a incapacidade temporária de mobilizar a razão sob o efeito do choque. Todavia, esta postura torna-se insustentável para uma figura investida de uma responsabilidade coletiva. Um dirigente político, um líder eleito para servir o interesse geral ou entronizado para gerir as crises, deve transcender esta lógica reativa. Ao contrário do cidadão comum, espera-se dele não uma resposta visceral, mas uma estratégia refletida, fundada na lucidez e no domínio dos desafios. Seu papel é precisamente substituir o destino sofrido, aleatório e caótico, por uma vontade esclarecida, transformando a urgência em oportunidade para uma ação estruturada.

Neste quadro, para nossas elites tradicionais, a abordagem é sempre mesquinha e cínica. Eles roubam. Eles saqueiam. Exploram ao máximo, como recomenda o capitalismo desregulado e absurdo, em detrimento do interesse comum. Eles se fazem uma única pergunta: como aproveitar esta crise para saírem eles mesmos do buraco no qual contribuíram para criar no país? De qualquer forma, é o que se observa em todas as crises haitianas: as pessoas no poder de fato enriquecem com as crises. O terremoto de 12 de janeiro de 2010 é um caso evidente.

Houve muito mais dinheiro desbloqueado, durante esta catástrofe, do que os famosos 3,8 bilhões de dólares do Fundo PetroCaribe, visando reconstruir o Haiti. Entretanto, o que aconteceu? Vimos até o ex-presidente dos Estados Unidos, Sr. Bill Clinton, entrar no Haiti para tomar sua parte do bolo. A equipe de Préval-Bellerive, os expatriados, os Clintonistas, atenção! este conceito não diz nada de bom! – ele não diz seu verdadeiro nome; dilapidaram os bilhões de dólares do fundo do CIRH via sua fundação, entre outros. Para aqueles que desejam saber mais sobre este assunto, recomendo o filme documentário: «Assistance mortelle» de Raoul Peck. Vocês entenderão o que significa a “ajuda internacional” oferecida por uma comunidade internacional ocidental, supostamente “humanista”, que visa o desenvolvimento de nossos países do Sul.

Ao evocar a figura do humanista, o exemplo mais recente e mais marcante neste contexto, no século XXI, é sem dúvida a revelação da dupla Trump-Musk, do escândalo do caso da USAID. Engajados em uma luta interna contra o que se designa comumente pelo termo “Estado profundo” no sistema americano, eles trabalharam para o desmantelamento da agência USAID e a suspensão de todos os programas de ajuda humanitária mundial que, há décadas, serviam de tampão para uma série de atividades criminosas enquanto pretendiam transformar o mundo. Esta situação oferece um caso de estudo rico em ensinamentos.

Antes de tudo, temos a revelação de Mark Feierstein, ex-administrador da USAID, que declarou que os Estados Unidos investiam um bilhão de dólares por ano em operações humanitárias na América Latina e no Caribe através desta agência. Este mesmo responsável foi acusado de encarnar uma fachada da intelligentsia estadunidense devido a seu envolvimento passado em atividades de ingerência política, particularmente no Haiti, na Colômbia, na América Central, no México e no Peru. Além disso, em um momento de entusiasmo excessivo, celebrando os “sucessos” desta subsidiária do departamento de Estado, Feierstein declarou abertamente e sem escrúpulos que “cinco milhões” de dólares seriam dedicados à “democracia” na Venezuela, em 2025. No entanto, a USAID havia se retirado do país devido à Lei de Defesa da Soberania Política e da Autodeterminação Nacional, promulgada no final de 2010, que proíbe estritamente o financiamento externo de partidos políticos. Este caso ilustra de maneira eloquente as contradições e ambiguidades de tais práticas. Para mais detalhes, leia.

Para finalizar, após o desmantelamento desta agência facinorosa, os jornalistas cínicos, portadores e defensores de uma narrativa vazia, que habitualmente fecham voluntariamente os olhos à verdade, preferiram tratar o assunto superficialmente em vez de verdadeiramente evocar as verdadeiras questões colocando em evidência os desafios de tal caso e o verdadeiro papel de tal organização em sua política de subversão dos países do Sul. Eles se contentavam em fazer de virgens ofendidas, gritando uma distração visando nos fazer olhar para outro lado, priorizando um discurso de dependência à soberania dos povos em questão. Lia-se em seus artigos e ouvia-se em seus reportagens falas como estas: “Oh! é grave, muita gente vai morrer, “oh là là!” Tudo isso para justificar as pseudoajudas da USAID e manter seu papel de corruptor e desestabilizador nos países do sul. Portanto, uma visão: dois pesos, duas medidas.

A este efeito, vê-se claramente que o uso que certas agências governamentais americanas fazem no mundo é conduzir ações políticas contra a verdadeira democracia, financiando inclusive certas mídias reputadas por manipular as informações de forma a estar conforme, não à realidade ou à verdade, mas à sua versão dos fatos. Note que seu interesse nunca visa ajudar as pessoas ou os ditos países pobres, mas ao contrário, mantê-los na dependência para se aproveitar de sua vulnerabilidade. “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça”, como dizia o ministro das Relações Exteriores do Mali, Sr. Abdoulaye Diop.

Pós-crise

O que entendemos por isso? Em gestão, é a fase que segue uma crise, durante a qual uma organização e seus líderes analisam as consequências, implementam medidas corretivas e preparam estratégias para evitar uma reincidência. Em psicologia, pode-se também qualificar isso de comportamento pedagógico exigido pela situação. É uma etapa crucial para capitalizar os ensinamentos e fortalecer a resiliência de qualquer organização. No Haiti, não é o que acontece há décadas. Agora retomemos o exemplo do terremoto de 12 de janeiro de 2010 que levou mais de 280.000 almas e fez mais de 1,3 milhão de vítimas e desabrigados, segundo a ONU.

Podemos afirmar que após uma catástrofe de tal amplitude, com seu pesado tributo humano e seus danos materiais consideráveis, os dirigentes da época deveriam ter aproveitado esta ocasião para conceber e implementar uma iniciativa de reconstrução ambiciosa, à imagem do Plano Marshall implantado pelos Estados Unidos na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Tal programa teria transformado a provação nacional em uma oportunidade histórica de reconstruir o país sobre fundações mais sólidas e modernas. O que aconteceu? Imediatamente depois, fundos consideráveis foram desbloqueados em favor do Haiti, e dezenas de organizações não governamentais implantaram suas antenas lá. Uma onda de humanitários, vindos de todos os lugares, desabou sobre o território com o objetivo declarado de socorrer a população. No entanto, neste caso específico, o pós-crise permite traçar um balanço contrastado, que se pode analisar segundo dois eixos: um negativo, outro positivo.

O eixo positivo, ainda que paradoxal, desempenhou um papel crucial ao revelar às novas gerações e ao renovar a tomada de consciência naqueles que persistem em ignorar a incompetência estrutural e a profunda imoralidade dos líderes tradicionais da cena política e das elites haitianas. Sua incapacidade de transcender seus interesses pessoais e sua avidez os levou a instrumentalizar o sofrimento coletivo, privilegiando sua própria agenda em detrimento do bem comum.

Este período colocou em evidência um sistema de predação institucionalizado e transnacional. Os fundos alocados à emergência, canalizados por uma ajuda internacional que, sabemos, de outro lado, mantém os ajudados em uma situação de dependência permanente, foram desviados sem escrúpulos por atores endógenos e exógenos. Longe de constituir uma ajuda real, estes fluxos financeiros se tornaram o vetor de um cinismo absoluto, em que cada dólar roubado simboliza a traição de um sonho acalentado desde tempos imemoriais.

O eixo negativo revela uma amarga desilusão: a esperança suscitada pela afluência de ajudas e doações dissipou-se integralmente, sem deixar traços tangíveis na melhoria das condições de vida. Esta ausência de resultados, aliada a uma forma de cumplicidade ativa dos atores internacionais, precipitou uma onda migratória sem precedentes dos jovens do país para o exterior, patologia de um profundo desespero coletivo.

Falta de visão de longo prazo

A ausência de estratégia prospectiva se manifesta dramaticamente em decisões com consequências duradouras, como quando Jean-Bertrand Aristide, motivado por considerações egoístas, desmantelou o exército haitiano sem prever mecanismos alternativos de segurança nacional. Ao suprimir uma instituição chave do país por razões pessoais e com tanta facilidade, ele não apenas revelou as fraquezas das instituições no país, mas também fragilizou a proteção do território, das fronteiras, da soberania haitiana e mergulhou o país em um vazio de segurança, abrindo a porta para as crises subsequentes (gangues, tráficos, instabilidade política e mais).

Este reflexo curtoprazista e imediatista se repetiu durante a pandemia da Covid-19. Os países ocidentais priorizaram suas populações, transformando a distribuição de vacinas em um luxo ocidental e comercial, longe da equidade preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os países pobres, marginalizados, sofreram uma lógica de “cada um por si”, revelando a hipocrisia dos discursos solidários. No entanto, diante destes fracassos, as elites políticas locais persistem na inação. Nenhuma política ambiciosa financia a pesquisa em nossas universidades, condenando o povo a depender eternamente de soluções importadas por pseudo-humanistas. Sem visão estratégica, as crises se sucedem, e os povos pagam o preço da improvisação.

Fracasso em mobilizar a sociedade civil

Finalmente, as elites políticas haitianas encarnam uma falência moral e estratégica cujas raízes mergulham em décadas de traição sistêmica. Não apenas abusaram da confiança popular por uma mistura tóxica de promessas vazias e corrupção desavergonhada, mas normalizaram o desprezo pelo diálogo cidadão. Sua retórica, longe de ser simplesmente “codificada”, releva de uma linguagem de pau calculada, concebida para mascarar a inação e perpetuar a opacidade. Estes dirigentes, graduados na “universidade da língua de pau”, destacam-se em uma dança retórica em que cada discurso serve para sufocar as reivindicações sociais em vez de respondê-las.

Pior ainda, sua lealdade não se encontra junto ao povo haitiano, mas nas antecâmaras das embaixadas estrangeiras. Verdadeiros escravos ou marionetes geopolíticas, eles transformam Porto Príncipe em um teatro em que os interesses das potências externas prevalecem sobre as necessidades dos cidadãos. As “prestações de contas” se limitam a relatórios confidenciais entregues aos Core-Group, enquanto a população permanece na miséria.

Estado  final

A análise do comportamento das elites políticas haitianas revela uma realidade esmagadora, marcada por um egoísmo sistêmico e uma inépcia institucionalizada. Ao se apoiar nos problemas e seus comportamentos na gestão das catástrofes do país, aparece claramente que estes dirigentes, prisioneiros de uma lógica infantil de predação e de um fracasso em conciliar interesses pessoais e responsabilidades coletivas, mergulharam o Haiti em um ciclo infernal de crises. Três eixos maiores ilustram esta deriva:

  1. Uma gestão desastrosa e predatória: seja antes, durante ou depois das crises, as elites privilegiam o enriquecimento pessoal em detrimento do interesse geral. Os exemplos de corrupção (como as compras de vilas no exterior ou o desvio dos fundos pós-terremoto) e a ausência de políticas preventivas (infraestruturas) testemunham um desprezo total destes últimos em relação à população.
  2. Um curtoprazismo destrutivo: a ausência de visão estratégica, simbolizada pelo desmantelamento irresponsável do exército ou a inação diante dos desafios estruturais (educação, saúde, urbanismo), condena o país a repetir os mesmos erros. Este reflexo egoísta, também observável em escala internacional (acesso equitativo às vacinas, desvio de fundos do CIRH), perpetua a dependência e a instabilidade.
  3. Uma traição da sociedade civil: ao institucionalizar a linguagem de pau, ao desprezar o diálogo cidadão e ao priorizar os interesses estrangeiros, estas elites romperam seu contrato social com a população. Sua governança opaca e clientelista transforma o Estado em uma ferramenta de dominação em vez de serviço público.

Diante deste constatado, o Haiti se encontra em uma encruzilhada em que se deve tomar uma direção: ou as elites tradicionais aceitam uma revisão radical de sua conduta, favorecendo uma abordagem ancorada em uma lógica do bem comum e uma visão inclusiva, ou o país permanece atolado em um caos cujas primeiras vítimas serão sempre os mais vulneráveis. De outro lado, a resiliência haitiana, comprovada por sua história, poderá triunfar-se de uma nova geração de líderes, liberta dos reflexos egoístas, da alienação e das cadeias geopolíticas, ousar assumir o país e repensar o Estado como um projeto coletivo. Sem isso, os gritos de desespero pós-catástrofes e as anedotas trágicas como a de Morne Tapion não restarão senão ecos vãos em um país em busca de redenção.)

Sem isso, os gritos de desespero pós-catástrofes e as histórias trágicas como a de Morne Tapion não passarão de ecos vãos num país em busca de redenção

Artigo: Russel Cérilia

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Un commentaire

  1. A análise pragmática que esse texto nos traz representa mais que um gesto ousado de um sobrevivente. Russel não só narrou a história acerca de uma situação sobre qual muitos de nós como leitores desconhecem, mesmo estando na era de informações. Também lançou a mão à uma crítica contundente sobre tal, ao mesmo tempo, que nos convida à integrar ao movimento/protejo audacioso de re-construção política e solidariedade para com o povo haitiano.

    A abordagem crítica do caso Haiti promovida no texto atravessa a compreensão simplória do mundo sobre a realidade local, e, mais que preciso, desvenda os casos de omissão forçada pela mídia e lideres políticos internacionais sobre os obstáculos que se impõe à paz que o povo irmão haitiano merece.

    Russel é, assim como muitos outros, da geração de juventude haitiana e africana contemporânea, cujas experiências de formação na diáspora viram-se paulatinamente em oportunidades e possibilidades de servir ao país de origem.

    Pegando emprestada a frase do autor, se, por um lado, « o eixo negativo revela uma amarga desilusão », pelo outro, o « eixo positivo » constituído pela nova geração de intelectuais diaspóricos revela resiliência, consistência e pragmatismo.

    Uma boa leitura recomendada!

    Samuel Scollet, CWB-PR/Brazil

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